Festival CineÂnima: “Emovere”

Emovere. Verbo latino que significa “agitar, remover, mudar de lugar”. Como todo verbo, uma ação!

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Emovere é o verbo do qual se originou a palavra emoção. Junção do prefixo “ex” (fora) com “motio” (movimento), da conotação de origem, relativa a colocar algo para fora, com o passar de alguns séculos tomou a acepção psicológica atual, sem perder seu vinculo originário: permanece o que nos move, algo que nos afeta a ponto de desencadear uma (re)ação em resposta.

Na produção cinematográfica, o “motio” passa por dois claros vértices; um propriamente técnico (cinema é imagem em movimento), e outro narrativo (a dramaturgia é composta pelas ações dos personagens que desencadeiam e constroem a trama).

A esses movimentos indissociáveis na produção, poderíamos somar outros dois: um anterior à produção e outro posterior a ela.

No primeiro âmbito, está aquilo que move os cineastas: o que os faz, muitas vezes com poucos recursos, a embarcar nessa árdua luta/aventura que é a produção audiovisual? No segundo aspecto, pós-produtivo, está a resposta do público diante da realidade do produto gerado, os movimentos internos e externos que despertam aqueles filmes tão laboriosamente produzidos.

A indústria cinematográfica, de certo, tem se empenhado cada vez mais em aumentar seu controle sobre a recepção do público (exibições de teste, agenda de regravações, críticos contratados, patrocínio de eventos etc.). Mas as surpresas permanecem. Quantas vezes não se vê uma cena dramática ser tomada como cômica e vice-versa?

São todos esse emoveres em cadeia que fazem a produção cinematográfica: emoveres da ideia que convida à pesquisa e realização; emoveres dos roteiros, planejamentos, filmagens ou produção das animações; emoveres de idas e vindas da montagem e edição e, por fim, emoveres imponderáveis da apreensão do público.

À exceção destes últimos, os vídeos de curtíssima duração apresentados nesta 2ª Edição do CineÂnima, contendo as produções do acadêmicxs de Artes Visuais da Unimontes na disciplina Arte e Tecnologia II, são frutos e exemplos particulares de todas as outras conotações: da resiliência de uma ideia; da permanência de um desejo produtivo que procura soluções e encontra repostas criativas diante da falta de recursos, de tempo e de equipamentos; e dos movimentos que conduzem e constituem a execução técnica.

Reflexos dessa exigência criativa, trazem, no seu conteúdo, emoções que transitam entre dois extremos: ora tiram o movimento, ora o levam ao extremo. Em um lado, a imobilidade de corações que param num estranho dia dos namorados, de um corpo arfante diante do desconhecido ou subjugado pela inércia que nos tomou durante a pandemia. Do outro, a alta frequência de uma bonequinha de retalhos que ganha súbita dançante vida, de uma gatinha atrapalhada ansiosa por ajudar sua dona bruxa ou mesmo de uma senhora de idade que, sob ataque de um entidade misteriosa, decide agir.

Apresentados a público aqui, depois de um longo processo de produção e orientação de maneira remota, agora os vídeos finalmente se dispõem aos emoveres da recepção, já cientes de sua dupla qualidade de registro: dos movimentos de acadêmicxs e docentes do Curso de Artes Visuais da Unimontes, que mantiveram seu comprometimento com a educação e produção artística em mais um ano de pandemia, e de serem alguns dos primeiros exemplares produtivos – em geral, de forma mais próxima a dos teasers, mas muito bem-acabados, já indicando assuntos de interesse pessoais e criando base para projetos mais ousados no futuro – de artistas-pesquisadores que têm tudo para constituírem uma longa e sólida trajetória de realizações na arte.

ēmovē!

Prof. Me. Lucas Carvalho R. Santos

CineÂnima: “Emovere”

Publicado por Cozinha Gráfica

Pesquisa e produção artística ampliada na web.

2 comentários em “Festival CineÂnima: “Emovere”

  1. Estão de parabéns,criar nessa pandemia com esse pandemônio de desgoverno não é tarefa fácil, obrigada por nos lembrar que a arte ainda pulsa.Viva o SUS,viva a cultura.

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