Mostra de vídeos CineÂnima 2025
CINEÂNIMA: FORMAS E CONTRAFORMAS DO CINEMA
André Parente denomina como “Forma Cinema” o modelo de produção e consumo cinematográfico encabeçado e promovido pela máquina Hollywoodiana.
Essa forma envolve um aspecto técnico – padrões industriais de captação e projeção; um aspecto narrativo – uma história com começo, meio e fim que segue o trinômio do “naturalismo/decupagem clássica/mecanismo de identificação”, apontado por Ismail Xavier (2005, p. 46); e um aspecto teatral-espetacular, materializado pela apreensão dentro da sala de cinema.
Ainda que que esse espaço arquitetônico da recepção cinematográfica seja objeto de debate, particularmente com a insurgência dos streamings e os efeitos da pandemia da Covid-19, a “Forma Cinema” mantém-se no imaginário sociocultural identificada como o próprio cinema.
Em suma, para grande parte da população, esse modelo hegemônico de pensar, produzir, distribuir, comercializar e recepcionar um produto audiovisual é visto como a própria natureza do fazer cinematográfico.
Todavia, se tampouco essa forma é fechada – o modelo se adapta, redimensiona-se e abarca novas possibilidades, vide a conformação rápida da indústria ao modelo do streaming –, ela também não é única.
Como o próprio Parente, junto com Victa de Carvalho (2009, p. 28), apontam: “é apenas uma forma que se tornou hegemônica, um modelo estético determinado histórica, econômica e socialmente”.
A proposta da disciplina “Cinema e Animação”, do 7º período de Artes Visuais, desenvolvida no segundo semestre de 2024, foi partir, então, dessa espécie de ideal platônico audiovisual, compreender suas dimensões teórica e técnica, para abrir as possibilidades de se trabalhar dentro ou fora dela.
Ou seja, partir do unívoco para se pensar o diverso, “um outro cinema”, ou “cinema menor”, como propõe André Brasil (apud Rolla; Hill, 2013, p. 96):
“(…) você falar de um cinema menor é você continuar dizendo que é cinema, mas é um outro cinema no interior da história mais hegemônica, assim como essa literatura menor, essa língua estrangeira no interior da outra língua, da língua dominante.” (Brasil apud Rolla; Hill, 2013, p. 103-104)
Nesse sentido, as obras audiovisuais aqui apresentadas, apesar de se dispersarem por um universo de possibilidades e discursos – da animação em stopmotion à videopoesia e à mímese irônica de videocasts – estão todas dentro de um empreendimento investigativo.
Um processo que pretende, em alguma medida, estimular, a partir da prática, uma reflexão que toque a conclusão e pergunta fundamental a que chega Dubois (2004, p. 23): “o que é o vídeo? Para mim, o vídeo é e continua sendo, definitivamente, uma questão”.
Se essa disciplina foi capaz de trazer essa questão, talvez não tanto acerca do vídeo (problema ainda mais abrangente), mas simplesmente dentro do cinema, ela já cumpriu grande parte da sua função, a função de tomar a produção audiovisual como ponto de partida, e não como porta de saída.
Em síntese, pensar o cinema não como resposta fechada, mas como possibilidades de formas e contraformas para se propor a realização da imagem em movimento.
Prof. Lucas Carvalho Rôla
Referências
DUBOIS, P. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
PARENTE, A, CARVALHO, V. de. Entre cinema e arte contemporânea. revista Galáxia, São Paulo, n. 17, p. 27-40, jun. 2009. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/download/2093/1238/4146. Acesso em: 27 mai. 2025.
ROLLA, M. P., HILL, M. (Orgs.) Conversas. André Brasil, Claudia Fontes, Cristiana Tejo, Daniela Bershan, Eduardo de Jesus, Stéphane Huchet (Colab.). Regina Stocklen (Rev.). Belo Horizonte: CEIA – Centro de Experimentação e Informação de Arte, 2013.
XAVIER, I. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 3ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
A dança da fita

Animação com live-action / Cor / 2025
Duração: 01 min. e 35s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Uma fita cassete, aparentemente inofensiva, ganha vida e começa a explorar o ambiente de uma sala de aula. Ali, ela encontra um desenho no quadro que vai mexer com seu corpo musical.
Direção e roteiro: Maura Silva e Lucas Carvalho
Às margens do Gorutuba: Janaúba

Videopoema / Cor / 2025
Duração: 00 min. e 36s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Um pouco da história de como se formou uma cidade às margens de um rio no Norte de Minas Gerais.
Direção e roteiro: Cléofas Vieira
Devaneio

Videopoema / Cor / 2025
Duração: 01 min. e 57s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Cenários cotidianos dão forma a devaneios profundos e sentimentos reais.
Direção e roteiro: Giulia Azevedo e Gabriel Cabral
Eternos versos de amor

Videopoema / Cor / 2025
Duração: 01 min. e 01s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Arthur e Pedro, dois irmãos opostos que se completam de maneira única. A voz de uma mãe, com amor incondicional, celebra essa conexão. Este curta é um tributo ao vínculo entre mãe e filhos.
Direção e roteiro: Késsia Ives
Limocídio

Animação / Cor / 2025
Duração: 01 min. e 00s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Se a vida te der alguns limões, faça uma limonada… ou não! Nessa narrativa, os limões se revoltam e, em um ato inédito, decidem reescrever seu próprio destino.
Direção e roteiro: Maria Clara Gonçalves e Mathews Araújo
Medusa

Live action / Cor / 2025
Duração: 02 min. e 30s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Medusa, uma influenciadora digital amplamente reconhecida e admirada, é convidada para participar do famoso programa de entrevistas “Romã”, apresentado pelo carismático e provocador Ciclos. Durante essa conversa envolvente, Medusa navega por temas polêmicos que têm agitado tanto as redes sociais quanto os círculos intelectuais.
Direção e roteiro: Jéssica Lopes
Sobre a espera

Animação / Cor / 2025
Duração: 02 min. e 30s
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: A jornada de uma lagarta em busca de sua forma final como borboleta representa uma metáfora profunda para a evolução interior e o autodescobrimento.
Direção e roteiro: Mariane Gomes, Katlyn Ramos e Lucas Carvalho
