
Arte como corporeidade
Num texto em memória à Jackson Pollock, de 1958, Allan Kaprow diz “jovens artista de hoje não precisam dizer ‘eu sou um pintor’ ou ‘um poeta’ ou ‘um dançarino’. Eles são simplesmente ‘artistas’”.
É o próprio Kaprow quem cria o conceito de “Happening”, designando uma possibilidade concreta dentro dessa diluição das categorias. O “Happening” seria um evento único, que toma forma de maneira inusitada, em conformidade ao surgimento de modelos híbridos de práticas artísticas que cada vez mais apelavam à ação efêmera, ao uso do corpo e à interação com o público.
Mas esse processo já se anunciava há décadas. Os sarais futuristas e dadaístas já haviam tencionado fronteiras interartes, trazendo para dentro do contexto das artes visuais as noções de cena, temporalidade e ação corporal. Deram origem à performance: linguagem artística que toma o corpo do artista como principal suporte e objeto.



Atuando na fronteira entre arte e vida, artes cênicas e artes visuais, a performance trabalha automatismos, a gestualidade e presença do corpo, elaborando experiências, num evento ao vivo, em narrativas não-lineares.
Sua principal diferença é não se tratar de uma atuação, mas do ato de um performer, muitas vezes agindo em espaços reais, que ressignifica ações e vivências da própria vida. Dentro desse contexto, se inclui também a body art, que toma o corpo do artista como espaço de explorações artísticas e modificações.

Para além do corpo do artista, o Brasil vai ter protagonismo na participação do espectador. No texto “Esquema geral da nova objetividade”, de 1967, Hélio Oiticica propõe “obras abertas”, que solicitem a “participação ativa do espectador”, demonstrando um pensamento que, mais adiante, será denominado como “Estética relacional”, pelo teórico Nicolas Bourriaud. Ou seja, é a ação do espectador que promove a obra e produz a arte.
Você já pensou quais ações suas poderiam ser vistas como arte?
