Arte como espacialidade

Arte como espacialidade

A arte está no objeto? No espaço? Ou na integração de ambos?

Considerado uma espécie de manifesto do minimalismo, o texto “Objetos específicos”, de 1963, escrito por Donald Judd, principal artista do movimento, começa da seguinte maneira: “a metade, ou mais, dos melhores novos trabalhos que se têm produzido nos últimos anos não tem sido nem pintura nem escultura (…)”.

Judd até concede que as obras podem ter uma relação distante com essas categorias, mas as tencionam, senão buscam superá-las.

Na pintura, a questão passa por superar sua qualidade de ilusionismo e compreender que, por mais que tente se mostrar um plano, ela é um objeto tridimensional; na escultura, conserva-se apenas a tridimensionalidade, mas não se trata mais de representação, de monumento ou mesmo de artesania.

Untitled” (1990) – Donald Judd

O artista defende ainda que “três dimensões são o espaço real” e “o espaço real é intrinsecamente mais potente e específico do que pintura sobre uma superfície plana”, o que produz uma ponte direta com aquilo que aponta a teórica Rosalind Krauss, no célebre texto “A escultura no campo ampliado”, de 1979.

Segundo ela, a produção moderna desconstruiu tanto a escultura – retirando tudo que propriamente a constitui historicamente – que trouxe para o pensamento artístico algo que estava interditado desde a renascença: a arquitetura ou o espaço.

Quem tem medo do azul, amarelo e vermelho?” (2006) – Robert Irwin

A obra minimalista não é o objeto em si, tampouco o espaço, mas as mudanças de percepção que um objeto específico e particular produz neste espaço e vice-versa – o que eventualmente leva à noção de “site specific”, ou sítio específico: de obras planejadas exclusivamente para determinado local, levando em consideração suas caraterísticas arquitetônicas particulares.