Arte como instrução

Arte como instrução

Instrução para o “Desenho de parede #541” (1987) – Sol LeWitt
Execução do “Desenho de parede #541” em 2009, no Museu de Belas Artes da Virgínia.

No texto “Parágrafos sobre arte conceitual”, de 1967, o artista Sol LeWitt diz que “na Arte Conceitual, a ideia de conceito é o aspecto mais importante da obra e que “a ideia se torna a máquina que faz a arte”.

Assim, a precedência da ideia sobre a forma vai levar os artistas conceituais a procurarem cada vez mais modelos imateriais para se pensar a produção artística, antagonizando-se ao apelo visual das obras tradicionais e fazendo amplo uso da textualidade.

Um desses modelos mais consagrados será o uso de instruções: obras que os artistas deixam apenas as descrições detalhadas para que elas sejam montadas/executadas, pelas instituições e sua equipe ou pelo próprio público.

Em 1964, Yoko Ono lança um marco na ideia de arte como instrução: o livro “Grapefruit”. Com tons poéticos, o livro é composto por centenas de instruções de obras, passíveis de ser feitas objetivamente ou apenas poéticas e subjetivas.

Livro “Grapefruit” (edição mais recente) – Yoko Ono

O emprego de uma publicação impressa também demonstra outras possibilidades de se pensar suporte e distribuição da arte, colocando, usando ou mesmo adulterando produtos em circulação.

Como posteriormente se vê em obras como “Inserções em circuitos ideológicos” (1970), do brasileiro Cildo Meireles. E do britânico Banksy, que em 2006, adulterou diversos CD’s de Paris Hilton e os colocou de volta no mercado.