
Arte como texto
A obra “A traição das imagens” (1928-29), de René Magritte, é um grande precedente da inclusão do texto na arte recente, fazendo valer a noção de que texto é imagem e imagem é texto.
Mais do que isso, o texto se mostra como revelador do verdadeiro conteúdo da pintura. Ao afirmar “Isto não é um cachimbo”, é o texto que desvela o caráter de representação da obra. A negação se torna a confirmação da ilusão que o título aponta.

Outros precedentes, como os trocadilhos nas obras de Duchamp, o emprego de textos no Construtivismo e Dadaísmo podem ser elencados, mas é com a Arte Conceitual da década de 1960 que uso do texto escrito na Arte terá seu devido protagonismo.
Em texto de 1969, o grupo “Art e Language” defende que uma teoria escrita pode ser apresentada como ela própria a obra partindo da pergunta: “será que esse editorial pode ser levado em consideração como um trabalho de arte (…)?”
A partir da década de 1970, com o esgotamento da noção autorreferente da primeira fase da Arte Conceitual, as portas do uso do texto na arte vão se voltar para a realidade política e social.

Artistas feministas, periféricos, coletivos artísticos vão fazer amplo uso da textualidade, inclusive incorporando a estética dos textos e faixas de rua, como nas obras “Faixas de anti-sinalização” (2009-2016), do Grupo Poro, e “Recado da rua” (2023), de Marcel Diogo.




