
Projeção acima da cabeça
A articulação competente de elementos simples da obra “projeção acima da cabeça” (2006), de Ceal Floyer, remete a diversas discussões pertinentes do campo da arte: as relações entre tridimensionalidade e bidimensionalidade, entre realidade e representação e a elementos como luz e sombra.

A luz do retroprojetor projeta uma sombra de lâmpada real, mas apagada, cuja forma é gerada ironicamente por um campo de luz que lhe é alheio. O objeto é traduzido em imagem, cujo caráter de linha e transparência dialoga com as características próprias do desenho: objeto real decomposto em imagem.
“Projeção” e “projeto” advém da mesma raiz etimológica, concernente a lançar a frente. E ambos conservam afinidade com o desenho. A lâmpada deitada torna-se um projeto de lâmpada, demarcando um espaço imaterial no espaço acima da cabeça que deveria ocupar.
