
Uma e três cadeiras
Possivelmente a obra mais emblemática da Arte Conceitual sessentista, “Uma e três cadeiras” (1965), de Joseph Kosuth, traz a inter-relação entre objeto, imagem e conceito, apresentado o código “cadeira” materialmente, visualmente e através de uma definição do dicionário.

Intencionalmente ou não, a obra remete à teoria platônica: o conceito dicionarizado é como uma ideia-forma, que abarca todas as possibilidades das cadeiras que existem; a cadeira, por sua vez, é um objeto sensível e particular; e a imagem a imitação específica e mera aparência desse objeto particular.
Mas o ponto de maior interesse talvez seja o fato de que a própria obra é uma manifestação aparente de um conceito. O artista não define uma cadeira específica para compor a obra, antes ela é montada a partir de uma instrução. Cada montagem é uma manifestação, qual uma aparição encarnada, de uma ideia, do mundo inteligível da arte.
